Perícia aponta que fogo em hospital de Florianópolis não foi acidental e que poderia ter sido evitado

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O resultado da perícia dos Bombeiros Militares sobre o princípio de incêndio, no fim de setembro, que destruiu parcialmente uma sala do Hospital Celso Ramos, em Florianópolis, e que assustou pacientes e funcionários, aponta que o incidente poderia ter sido evitado. O laudo, que a reportagem do Jornal do Almoço teve acesso, indica que o incêndio não foi acidental.

Os detalhes que explicam como aconteceu o princípio de incêndio estão em um documento com 79 páginas. O laudo que o JA teve acesso ficou pronto um mês após o incidente.

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O fogo começou na sala da área técnica, que fica no térreo do hospital, entre o estacionamento de ambulâncias e a reanimação da emergência. Uma das baterias do no-break teve uma reação termoquímica que provocou uma fuga de calor. O fogo se concentrou apenas no rack de baterias. O no-break – equipamento que atua como reserva na geração de energia em caso de falta de luz – não foi atingido.

As fotos dos bombeiros mostram o estado que ficaram as baterias de chumbo-ácida. Um ar-condicionado split que fica na sala também foi perdido.Mais equipamentos foram danificados pelo incêndio no Hospital Celso Ramos — Foto: Bombeiros Militares/ Divulgação

O documento destaca que a Norma Técnica 15641 da ABNT determina que locais com esse tipo de bateria devam permanecer com temperatura controlada em torno de 25°C.

O ar-condicionado estava ligado no momento do incidente e foi a fumaça que espalhou pelo sistema de ventilação central que alertou para o fogo. Porém, a perícia não conseguiu descobrir a temperatura da sala naquela madrugada.

O eletrotécnico terceirizado que presta serviço de manutenção do no-break disse que observou na última manutenção que havia oxidação nos polos de uma das baterias. Nessa inspeção, feita no dia 27 de agosto deste ano, indica que a vida útil de uma bateria é de cinco anos. A última troca foi em 2011, portanto os bombeiros concluem que elas deveriam ter sido substituídas há três anos – o que não foi feito pela Secretaria de Estado de Saúde.

O documento ainda indica que a sala da área técnica – onde o aconteceu o princípio de incêndio – estava obstruída por lixo comum e infectante. A situação poderia ser pior caso o fogo tivesse se alastrado, disseram os bombeiros no laudo.

A perícia ainda constatou que os extintores não estavam em condições de uso e que havia sinalização, mas as saídas de emergência estavam parcialmente obstruídas por macas e cadeiras. Já o hidrante não poderia ser usado, pois a válvula estava fechada.

O laudo, portanto, conclui que o incêndio não foi acidental. Seria um acidente se os equipamentos estivessem com a manutenção em dia e sem indícios de mau funcionamento. Os bombeiros acreditam que a norma de segurança para as baterias não foi seguida e que houve falha humana, porque o hospital tinha conhecimento de que os equipamentos precisariam ser trocados.

Hospital sem habite-se

O hospital Governador Celso Ramos não tem plano de segurança e nem o Habite-se para funcionar. A unidade já foi até multada por isso.

O Ministério Público abriu um inquérito para investigar a situação, e fez várias recomendações para a secretaria estadual de Saúde. O promotor considerou que a resposta apresentada pelo Estado foi insuficiente. E marcou para a tarde desta quarta-feira uma audiência de conciliação com o secretário de Estado de Saúde, Helton Zeferino, para que seja apresentado um cronograma de adequações no hospital.

O que diz a Secretaria de Estado de Saúde

A Secretaria de Estado de Saúde enviou uma nota para a NSC e diz que a “direção do Hospital Governador Celso Ramos destaca que as providências estão sendo tomadas para solucionar os problemas apontados no laudo realizado pelo Corpo de Bombeiros. Os contratos anteriores à gestão atual estão sendo revistos e licitações abertas para buscar solucionar as questões e oferecer mais segurança ao paciente e servidores. Ressalta-se que o PPCI também vem sendo elaborado segundo as orientações apresentadas pelo Corpo de Bombeiros e Justiça”.

Tumulto

Na madrugada de 24 de setembro, por volta de 3h30, 54 pessoas estavam internadas e 44 e aguardavam atendimento no Celso Ramos. Como a fumaça e o susto, todos tiveram que deixar a unidade hospitalar, orientados por brigadistas. A emergência chegou a ser interditada pela manhã.

Fonte: G1

Por: Deivis W. Fernandes / RCNoticia