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Dia Internacional da Mulher: Comemorar, sim, mas lutar também

O dia 8 de março é reconhecido como o Dia Internacional da Mulher, mas ele não foi criado simplesmente para uma singela homenagem. A data marca uma luta intensa pela independência, pelo respeito, pelos direitos e pela autonomia feminina. Seja na vida pessoal ou profissional, o principal desafio é superar os obstáculos que surgem no dia a dia delas.

A data, originada em mobilizações ocorridas no século passado, é uma forma de reconhecer as conquistas obtidas ao longo das décadas, mas também serve para reflexão. Cada vez mais as mulheres se destacam na sociedade, alcançam postos de liderança e alçam voos cada vez maiores rumo ao crescimento pessoal e profissional. Porém, ainda há muito a avançar para que se tenha uma sociedade igualitária. “Eu considero um dia de lutas. Por mais que exista sempre uma questão meio comemorativa em torno da data, meio ‘presenteie uma mulher com uma flor ou uma lingerie, ou seja lá com o que for’, eu considero que são formas do comércio ganhar com a data, mas o dia não se refere à celebração em si, mas às lutas”, destaca Mônica Camargo, professora do curso de Direito da Unesc e dedicada ao estudo das questões de gêneros.

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Ela exalta as conquistas femininas, mas destaca dois pontos que preocupam muito. “Claro que a gente celebra o que já conquistou, mas olhamos para muitas coisas que precisamos avançar, especialmente em dois campos: violência contra as mulheres e igualdade no mercado de trabalho”, diz.

Altas taxas de feminicídio em Santa Catarina

O número de feminicídios em Santa Catarina cresceu 300% em janeiro de 2022 se comparado ao mesmo período de 2021. Do dia 1º ao dia 31 de janeiro, oito mulheres foram vítimas do crime no Estado. Isso equivale a um assassinato a cada quatro dias. Em 2021 e em 2020, aconteceram dois feminicídios no primeiro mês do ano. O dado registrado em janeiro de 2022 é o maior desde 2015. Os números foram divulgados pela Secretaria de Segurança Pública de Santa Catarina (SSP/SC). “Nós consideramos que o feminicídio é a forma mais severa de violência contra a mulher. Ele se origina, de fato, em uma discriminação com base em gênero, porque é uma discriminação na sociedade cultural que existe da inferioridade das mulheres”, pontua.

A professora alerta para pontos que são impostos pela sociedade para as mulheres. “O feminino estaria ligado à delicadeza, submissão, beleza… Símbolos que evocam a questão do feminino e são cunhados por normas de gêneros socialmente estabelecidos, impostos na sociedade”, comenta.

Mônica reforça que esses pontos avançam a questão da desigualdade de gênero. “A partir do momento que você relaciona atributos femininos com submissão, por exemplo, você vai atribuir, nessa questão da desigualdade, que os homens vão ter os atributos, digamos, da virilidade, da força, da atuação no espaço político. Enquanto a mulher seria a atuação no âmbito privado. Essa separação, esses binarismos, fazem com que a desigualdade ganhe força na sociedade”, enfatiza.

A professora alerta para a necessidade que o Estado cumpra as leis que estão estabelecidas, em proteção às mulheres, da forma correta.“Nós temos leis no Brasil, como a Lei Maria da Penha, que estabelece diversas medidas, instituições que deveriam ser criadas e mantidas pelos poderes públicos e não o são. Então, quando a gente vê índices de violência altos, a gente acha que a punição do agressor resolve o problema e ela é apenas um dos aspectos da Lei Maria da Penha. Ela não se refere a outros aspectos. A Lei se refere, por exemplo, à prevenção, punição e assistência. Então, o que o Estado faz, em geral: pune o agressor. Só que punir o agressor não previne e nem dá assistência para a mulher. Nós precisamos avançar nesse ponto, que é grave e tem levado mulheres à morte e outras formas de sofrimento dentro de casa”, explica.

A busca pela igualdade na remuneração

Dados do Ministério do Trabalho e Emprego (MTE) que mostram que, especialmente no setor privado, as mulheres, mesmo tendo uma formação, muitas vezes, superior aos homens e exercendo a mesma função, recebem menos que os homens. “Então, isso é flagrante e não é uma questão só brasileira. É no mundo ocidental, inclusive em países ditos como desenvolvidos. Temos bem demarcadas essas questões”, pontua a professora.

As mulheres, com nível superior, no setor privado, ganham, em média, 60 a 70% menos que os homens. Isso exercendo o mesmo cargo e com a mesma formação. “Isso é uma desigualdade que se estabelece exatamente por conta da desvalorização do trabalho feminino. Isso sem contar com outros tipos de discriminação como a desvalorização do trabalho doméstico e de cuidado – trabalhos relacionados à educação e cuidados com crianças e idosos. A questão salarial delas é muito desvalorizada. Isso porque seriam trabalhos ‘de mulheres’”, pontua. “Nós também temos a dificuldade das mulheres a ascenderem a cargos de chefia ou de comando. Nós temos uma desigualdade horizontal e vertical, em relação aos homens”, finaliza Mônica.

 

 

 

 

Foto: Edgard Garrido/Reuters

Fonte: TNSUL

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